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Morte de modelo Isadora Viana Costa completa três anos e  julgamento do cartorário Paulo Xisto ainda não tem data para acontecer Segurança

Morte de modelo Isadora Viana Costa completa três anos e julgamento do cartorário Paulo Xisto ainda não tem data para acontecer

por Redação 09-05-2021 há 1 mês 1066

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"A busca de justiça para Isadora é apenas a sequência de tudo que fiz para ela enquanto estava entre nós", conta o pai de Isadora Viana Costa.

Há três anos, Isadora Viana Costa morreu dentro de um apartamento na praia da Vila, região central de Imbituba. O suspeito do possível crime, ex-namorado da vítima, aguarda julgamento em liberdade.

"Quando um filho é tirado de você de forma brutal, o que resta para um pai e uma mãe é a busca da punição do indivíduo que provocou tal ato".

É com essas palavras que a família de Isadora Viana Costa pede por justiça pela morte da jovem, que completou três anos neste sábado (08).

A modelo santa-mariense, com 22 anos em 8 de maio de 2018, teria sido morta dentro do apartamento do namorado, o oficial de cartório de Imbituba, Paulo Odilon Xisto Filho, de 36 anos. Ele aguarda em liberdade o Tribunal do Júri.

A partir da denúncia do Ministério Público (MP), Paulo Odilon será julgado por homicídio triplamente qualificado - motivo fútil, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio - e também por fraude processual - ele teria alterado a cena do crime.

Em 15 de maio de 2019, Paulo Xisto foi condenado a pagar serviços comunitários e ao pagamento de multa de 50 salários-mínimos (R$ 55 mil em valores atuais), pelo crime por porte ilegal de acessório para arma de fogo. Durante as investigações, a polícia encontrou os acessórios dentro do apartamento onde ele morava.

Conforme o pai da modelo, o cirurgião-dentista Rogério Froner Costa, 53 anos, todo o caminho que a família percorreu durante estes três anos é a alma da família sendo exposta com amor e verdade em busca de justiça:

- A busca de justiça para Isadora é apenas a sequência de tudo que fiz para ela enquanto estava entre nós. Minimamente reparar a barbárie cometida contra a vida dela, preservando sua memória, que agora é o seu maior legado. Estou apenas fazendo o que sempre norteou a vida da Isadora: a busca por justiça entre os homens, embasada pelo amor e a verdade.


Em abril, Isadora estaria completando 25 anos. O aniversário teve gosto de tristeza para a irmã gêmea da modelo, Mariana Viana Costa. Na página de Isadora no Facebook - Justiça para Isadora -, a família relembrou como gostava de comemorar o aniversário das filhas com a família reunida. No cardápio, não podiam faltar os doce e brigadeiros das avós e o estrogonofe do pai.

Com o passar de mais de mil dias com a ausência física de Isadora, a mãe da modelo, Cibelle Viana Athayde Costa, 51 anos, conta que a família sempre irá lutar pela punição do acusado.

- É preciso punição para que os crimes não se repitam. Eu, como mãe e cidadã, entendo isso. Mas isso também só é possível se você amar. Nossa filha Isa é isso. É o amor que torna possível a nossa força de lutar por justiça - desabafa Cibelle.

 

HOMENAGENS E MANIFESTAÇÕES

Durante todo o mês de maio, a família da modelo, que mora em Santa Maria, irá realizar manifestações e homenagens à jovem. Na tarde da última quinta-feira (06), parlamentares da Câmara de Vereadores da cidade fizeram menção ao caso durante os discursos na sessão das 15h. Com cartazes e banners pedindo por justiça, a família e os vereadores lembraram do crime que, três anos depois, ainda está impune.

Na noite deste sábado, data da morte de Isadora, uma missa para a modelo foi celebrada em Santa Maria.

 

COMO FOI O CRIME

Conforme as investigações da Polícia Civil de Imbituba, Isadora e Paulo Odilon se conheceram em Santa Maria, cidade natal dos dois, em março de 2018. No mês seguinte, o namoro teve início, e Isadora aceitou o convite do namorado para passar alguns dias em Imbituba.

Na madrugada do suposto crime, os dois teriam tido uma discussão que culminou com a morte da jovem. A denúncia aponta que Paulo Odilon era lutador de artes marciais e, por isso, conseguiu imobilizar a namorada, desferindo diversos golpes no abdômen.

De acordo com a investigação, naquela noite, Paulo Odilon solicitou atendimento ao Corpo de Bombeiros, mas não acompanhou Isadora até o hospital. O Ministério Público alegou que o acusado permaneceu dentro da residência, para "ocultar provas e dificultar o trabalho de investigação".

"O acusado só foi para o hospital após modificar a cena do crime. No local, encontrou a amiga, para quem entregou as chaves do apartamento para que ela retirasse o lençol sujo de sangue que estava em cima da cama", informa a denúncia do MP.

 

DEFESA CONSTESTA ACUSAÇÕES

O laudo da perícia do corpo de Isadora indicou que ela foi morta após múltiplas agressões na região do abdômen. O resultado é contestado pelo advogado Aury Celso Lima Lopes Júnior, que defende Paulo Odilon. Lopes Júnior informou, na época da investigação, que o resultado do exame toxicológico confirmou a presença de cocaína no sangue de Isadora, indicando que a modelo teria morrido devido a uma overdose. A alegação da defesa contraria a versão da Polícia Civil e do Ministério Público sobre a causa da morte.

Após as investigações, a Delegacia de Polícia de Imbituba cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de Paulo Odilon e, no dia 14 de maio de 2018, foram apreendidas duas toalhas, duas camisetas e quatro pedaços de pano com vestígios de sangue. Dois deles já estariam lavados e dois ainda estariam de molho em um balde com água.

Além disso, foram apreendidos uma espingarda calibre 12, 80 munições calibre 12 e 66 munições calibre 380. Uma pistola Glock calibre 380 foi entregue posteriormente à polícia. As armas estavam com os registros vencidos. Também foi apreendida uma mira à laser para uso em arma de fogo, fabricada na Argentina, de uso restrito.

O suspeito aguarda o julgamento do Tribunal do Júri, que ainda não tem data para acontecer, já que existem recursos contra a decisão de pronúncia em Brasília, por parte da defesa.

 

A CRONOLOGIA DOS FATOS

- 8 de maio de 2018 - Isadora é levada para o hospital em Imbituba (SC) e acaba morrendo. A perícia indicou que a modelo teria sido agredida com pancadas no abdômen;

- 4 de julho de 2018 - O namorado da modelo, Paulo Odilon, é denunciado pelo Ministério Público pela morte da jovem;

- 16 de julho de 2018 - Decretada a prisão preventiva de Paulo Odilon;

- 28 de novembro de 2018 - O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), concede liminar em Habeas Corpus e Paulo Odilon é solto;

- 20 de agosto de 2019 - A 1ª turma do STF cassa a liminar e o suspeito é preso outra vez;

- 10 de outubro de 2019 - O ministro Néfi Cordeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), concede novo Habeas Corpus e Paulo Odilon é solto novamente. O acusado permanece em liberdade até os dias atuais no aguardo de julgamento, que deve ocorrer em Imbituba. Ainda não há data marcada.

 

O QUE DIZ A ACUSAÇÃO

Conforme a advogada da família da modelo santa-mariense, Daniela Felix, todos os familiares seguem em luto nestes três anos, mas com total confiança na Justiça.

"Estamos aguardando o retorno do processo à Comarca de Imbituba e, por consequência, o julgamento do réu pelo Tribunal do Júri, confiando que a justiça será feita quando o plenário decidir pela condenação, como medida de justa de reparação ao bárbaro crime de feminicídio cometido".

 

DEFESA NEGA CRIME

A perícia indicou que Isadora foi morta após múltiplas agressões no abdômen. O resultado é contestado pelo advogado Aury Celso Lima Lopes Júnior, que defende Paulo Odilon.

"Não existiram as lesões apontadas no laudo inicial, que contêm falhas gravíssimas, como ficou comprovado pelas demais perícias realizadas pelos mais qualificados médicos-legistas do país. Isadora, infelizmente, foi vítima de overdose, ingestão excessiva de cocaína compactada. Nunca sofreu qualquer tipo de agressão", diz a defesa, em nota.

"É preciso compreender que tão grave como seria a impunidade de um autor de feminicídio, é acusar e condenar publicamente a pessoa errada, alguém inocente. Não é cometendo essa gravíssima injustiça que se irá remediar essa morte acidental, todo o oposto, está se causando uma nova tragédia. A defesa seguirá lutando com todos os recursos processuais disponíveis para comprovar a verdade e evitar uma grande injustiça", acrescenta Lopes Júnior na nota.

No Facebook, há uma página, "Somos todos Paulinho - Queremos Justiça", em defesa de Paulo Odilon. A última postagem no espaço é de 6 de março de 2020.

Fonte: Laíz Lacerda / Diário de Santa Maria
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